terça-feira, 12 de abril de 2011
Monalisa acorda em dias de terça encharcada daquela sensação estranhosa,
só descrita por Van Gohgh em Cartas a Teo...
que o pássaro nascido em cativeiro conhece tão bem....
porque é tempo de migrar e ele sente que algo o impele a
fazer o que não sabe bem o que é, quando ou pra que...
é tempo de migrar e ele nem sabe como ou pra onde...
é um pertencimento desconhecidíssimo....
é na verdade um despertencimento agudo.
E Monalisa queria, ela queria mais que o ar...
sentir que pertence...não sendo essa criatura tão alheia
pra quem a vida entre os homens é tão irritantemente incompreensível
como o tal cubo mágico...e se demora num café quase frio...
precisando também ela....migrar e não sabendo como.
Quem é que coloca na gente esses pares de asas invisíveis
que nos obrigam a querer o céu sem saber bem onde ele fica....
termina o café indagando-se:
Continuo sonhando, continuo dormindo?
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