sábado, 30 de julho de 2011



Monalisa pensou...fui agraciada com uma atenção involuntária, ela segue critérios próprios e sabe extrair das coisas apenas as coisas que lhe interessam, ou quase isso. É.. atenção sua era selvagem, não civilizada...e todos os dias aquela luta de domar atenção, ensiná-la a sentar e não perder detalhes tão aparentemente importantes do cotidiano, como cadarços desamarrados, o número correto do ônibus que se tem que pegar...em vez de se ater à sombra dos galhos no chão, e ao desenho das nuvens...um balão distraído cuidadosamente embalado por uma criança pequena. Sua atenção sempre fora um cavalo sem rédeas...péssima metáfora, mas sem poder haver outra...é essa mesmo. Monalisa tão querida, e nem era ensimesmamento...era outra vida que não dela sua atenção...esparramada sobre as coisas, sem obedecer a dona. E ela sempre a tentar ensinar gramática à atenção, fazer ela entender que o mundo é tão mágico quanto lógico. Mas hoje... ela decidiu soltar sua coleira, e deixá-la correr e se esfregar na grama, hoje deu alforria a sua atenção para observar insetos e sentir a temperatura do vento....e respirou fundo, aliviada.

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