
Eu queria escrever pra você uma carta ..
Eu nunca escrevi nada além de três ou quatro linhas pra você...
palavras sempre fizeram parte da minha forma de amar.
Pensei que nessa questão da eternidade a palavra teria esse poder, porque quando a gente escreve – eu te amo... .fica impresso no papel, pra quase sempre naquele espaço o amor se perpetua de maneira atemporal.
Mas do papel vai sempre depender o tipo... acho que vivemos mais do que nunca...na geração post-it como eu te disse... nada fica, e mesmo a memória precisa de uma formatação para que caiba tantas coisas que atropelam a gente.
O que vale melhor..ver muitas pessoas...um pouquinho de cada vez....ou ver alguém único daquela forma mais profunda...conhecer detalhes...bonitos....horríveis...essências....? Já nem sei.
Somos a geração da Rapunzel sem trança....como eu sempre digo.
De que vale chegar a um ponto só para concluir que aprendeu muito?
A gente se encontra para ter lições? Já nem sei.
Acho que não dá pra viver com medo da morte... mesmo mesmo.
E nem amar com medo de que acabe assim no assim
Talvez seja só isso que exista mesmo... entre todos os homens....grandes blocos de papel amarelo post–it pra nos lembrar das coisas que não conseguimos....por exemplo...que se ama, que amar não é fácil, é preciso fé, perseverança e carinho. É preciso que um papel fique grudado aqui na minha frente me dizendo: viva às largas, renasça a cada minuto, tenha força, alegria... porque a minha memória já não pode guardar mais nada.
Seja lá como for... a eternidade habita um segundo...dizem....( será?)
E ainda que eu tenha medo, reconheço que na minha natureza existe uma capacidade de amar infinita, que sempre vai preferir arriscar-se no segundo do que viver sem amor por medo.
Tenho te amado, de uma forma bonita e boa... mas eu não quero o no enquanto...eu não posso viver no enquanto...eu sempre quero o impossível....o infinito....o indescritível...o absurdo....o tudo....o sempre no sempre daqueles dias.Isso eu sei, não é pra todo mundo.
Prefiro me aventurar no único... acho que deve ser os 30 que se aproximam. Preciso acreditar em coisas que cresçam... que tenham raiz...que não se extingam nas tempestades....talvez realmente...eu seja MUITO.
Que seja o que a vida quiser!
Pero não quero endurecer e perder a ternura. (plagiando Neruda)